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Livro aberto e café

Diabetes Mellitus Tipo 2

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma das condições mais comuns em todo o mundo. Um estudo recente, de junho de 2023 publicado no jornal médico “The Lancet”, um dos principais veículos do mundo, mostrou que atualmente há cerca de 529 milhões de pessoas vivendo com diabetes. Esse número deve chegar a 1,31 bilhão de indivíduos até 2050. Para se ter uma ideia da importância dessa doença, nos Estados Unidos da América (EUA), 1 a cada 4 dólares gastos em saúde são com pacientes com diabetes. O diabetes aumenta o risco de infarto do miocárdio e AVC, tem complicações como doença renal, retinopatia e neuropatia, e está associado a diversas outras doenças como esteatose hepática (a famosa “gordura no fígado”) e até mesmo maior risco de alguns tipos de câncer e osteoporose.

Portanto, o reconhecimento precoce e tratamento adequado são fundamentais para a redução dos riscos associados a essa condição.

O QUE É DIABETES?

               O diabetes mellitus (DM) é uma condição onde há elevação nos níveis de açúcar no sangue, ou seja, da glicemia. Existem vários tipos de diabetes, sendo que o tipo mais comum é o diabetes tipo 2. Essa elevação do açúcar no sangue acontece ou porque o organismo está enfrentando uma resistência à ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e responsável por “colocar o açúcar para dentro” das células, ou porque o pâncreas não é mais capaz de produzir o hormônio.

               A consequência a médio e longo prazo é a lesão de pequenas artérias, gerando as chamadas complicações microvasculares tais como retinopatia, nefropatia (doença renal) e neuropatia diabética, além das lesões de grandes vasos, aumentando o risco de infarto, derrame e doença arterial periférica. 

O tratamento adequado do diabetes desde o seu diagnóstico comprovadamente reduz o risco das complicações e por isso merece nosso cuidado e atenção.

               Quer entender qual é o seu tipo de diabetes? Saiba mais sobre o tema em nosso site e acompanhe a sessão de artigos.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO DIABETES?

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Os sintomas do diabetes são:

 

  • Poliúria (aumento da frequência e volume urinário)

  • Polidipsia (aumento da sede)

  • Polifagia (aumento da fome)

  • Perda de peso

  • Maior suscetibilidade a infecções

  • Alterações visuais

  • Alterações na sensibilidade e formigamentos

  • Atraso na cicatrização de feridas


Vale lembrar que esses sintomas só vão aparecer naqueles que estejam muito descontrolados e que a grande maioria dos casos acontece de forma assintomática. Por isso é importante saber quando devemos realizar os exames para rastreio.

QUANDO DEVO FAZER EXAMES PARA AVALIAR DIABETES?

De acordo com as recomendações mais recentes da American Diabetes Association (ADA), todos os indivíduos acima de 35 anos devem fazer pelo menos a cada 3 anos a dosagem da glicemia de jejum e hemoglobina glicada para rastreio de diabetes. Além disso, o rastreio deve ser realizado independentemente da idade nas seguintes condições:

 

Adultos com sobrepeso + 1 fator de risco:

  • Parente de 1º grau (pai, mãe ou irmãos) com diabetes

  • Doença cardiovascular

  • Hipertensos

  • Dislipidemia (Triglicérides > 250 mg/dL ou HDL < 35 mg/dL)

  • Sedentários

  • Síndrome dos ovários policísticos

  • Condições relacionadas à resistência insulínica (obesidade grave, acantose nigricans)

  • Indivíduos com HIV

  • Mulheres com diabetes mellitus gestacional prévio

 

Nas mulheres com diabetes mellitus gestacional prévio e em pessoas com pré diabetes (saiba mais sobre pré diabetes aqui), é importante realizar os exames anualmente.

Exame de saúde

QUAIS EXAMES DEVEM SER FEITOS PARA O DIAGNÓSTICO DE DIABETES?

Os exames que devemos fazer para o diagnóstico do diabetes incluem a glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) e o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) 75g. Os valores de corte para se estabelecer o diagnóstico são:

 

- Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL;

- Hemoglobina glicada ≥  6,5%;

- Teste oral de tolerância à glicose 75g 2h após  ≥ 200 mg/dL.

 

Há ainda outra forma de se estabelecer o diagnóstico, que é caso o paciente apresente uma medida ao acaso (em qualquer momento do dia) de glicemia acima de 200 mg/dL e sintomas de diabetes.

Vale lembrar que todos esses exames devem ser repetidos e confirmados antes de se estabelecer o diagnóstico e, em casos limítrofes, devemos repeti-los em 3 a 6 meses.

QUAL A DIFERENÇA DO DIABETES TIPO 2 PARA O TIPO 1?

A diferença do diabetes tipo 2 para o diabetes tipo 1 é que o tipo 2 se inicia basicamente pela resistência à ação da insulina, enquanto no tipo 1 ocorre a destruição autoimune das células do pâncreas, levando a deficiência da produção de insulina. 

DIABETES TIPO 2

- Ocorre sobretudo em situações como o excesso de peso e maior predisposição genética. Pessoas com diabetes tipo 2 possuem, ao diagnóstico, produção normal ou até elevada de insulina para vencer a resistência à sua ação.

- Inicia geralmente em adultos e indivíduos mais velhos;

- A maioria é assintomática ao diagnóstico;

- Costuma se associar a outras alterações como aumento do colesterol ou triglicérides, hipertensão, obesidade e gordura no fígado

- O tratamento inicial na maioria das vezes pode ser feito sem necessidade de insulina;

- A história familiar costuma ser mais forte que no tipo 1

 

DIABETES TIPO 1

- Ocorre geralmente em indivíduos mais magros;

- Acontece geralmente antes que o diabetes tipo 2, se iniciando na infância, adolescência ou em adultos jovens (mas pode ocasionalmente ocorrer mais tardiamente);

- Grande parte se inicia com sintomas como aumento da sede, de fome, perda de peso e aumento da frequência urinária. Pode também se iniciar com um quadro chamado cetoacidose diabética (CAD), potencialmente grave e que frequentemente requer internação hospitalar e cuidados intensivos;

- A dosagem de auto anticorpos como o anti GAD e anti IA2 frequentemente são positivos;

- Requer o uso de insulina desde o início do diagnóstico e as medicações orais não são indicadas na grande maioria dos casos

 

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COMO É FEITO O ACOMPANHAMENTO DO DIABETES TIPO 2?

 

O acompanhamento do diabetes tipo 2 se inicia com uma primeira consulta ampla, dedicada à avaliação do diabetes em si e outros problemas relacionados, como risco de complicações (retina, rins e neuropatia), avaliação do risco cardiovascular por meio da análise da pressão arterial, colesterol e repercussões cardíacas pré-existentes; status vacinal e solicitação dos exames pertinentes. 

A partir daí, devemos estabelecer a melhor proposta de tratamento, de acordo com as metas estipuladas. 

Até que se obtenha um controle adequado, o seguimento de pacientes em uso de medicações orais deve ser feito a cada três meses, podendo ser espaçado para 6 meses caso o controle seja atingido. Em situações onde é necessário o uso de insulina, o seguimento deve ser feito mais de perto.

QUAL O MELHOR TRATAMENTO PARA O DIABETES TIPO 2?

 

O melhor tratamento para o diabetes tipo 2 se inicia com uma boa conversa, explicando ao paciente sobre o que é o diabetes, explorando as medidas não medicamentosas que podem auxiliar amplamente no controle dessa condição, como a alimentação equilibrada, evitando excesso de carboidratos e alimentos processados; atividade física 150 minutos por semana e perda de peso nos pacientes com obesidade ou sobrepeso.

Já a escolha da medicação mais adequada vai depender de diversas características do paciente, como:

 

  • Nível inicial de hemoglobina glicada;

  • Metas do tratamento;

  • Idade e status funcional;

  • Presença de doença renal ou condições de risco de hipoglicemia;

  • Presença de doenças cardiovasculares prévias como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca

  • Objetivo de perda de peso

  • Presença de esteatose hepática (gordura no fígado)

 

Com base nessas e outras informações, escolhemos a melhor opção para aquele determinado paciente.

Dentre as opções mais comumente utilizadas, temos a metformina (glifage), semaglutida subcutânea (Ozempic ®) ou semaglutida oral (Rybelsus ®), liraglutida (victoza ® ou saxenda ®), dapagliflozina (Forxiga ®), empagliflozina (jardiance ®), sitagliptina (Januvia ®), gliclazida (azukon ®), dentre outras opções. Além das medicações, existe a opção do tratamento com insulina nas situações indicadas.

QUAIS SÃO AS METAS NO TRATAMENTO DO DIABETES?

As metas do tratamento do diabetes devem ser individualizadas de acordo com características individuais. Por exemplo, em pessoas com diagnóstico recente, com baixo risco de hipoglicemias, é possível uma meta mais “rigorosa”, com hemoglobina glicada menor do que 6,5%. Para a grande maioria dos pacientes, a meta é manter a HbA1c ≤ 7,0%. 

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Por fim, uma informação importante: O que devo fazer se tiver uma hipoglicemia?

Suco de laranja fresco

Uma das principais preocupações ao se tratar o diabetes é com o risco de hipoglicemia. Hipoglicemia é o termo utilizado para a situação onde o açúcar no sangue está muito baixo, gerando sintomas como sonolência, lentificação do raciocínio, tremores, sudorese fria e até mesmo convulsões ou coma, se a glicemia chegar a níveis extremamente baixos. Por isso, é importante que pacientes com diabetes tenham em casa um glicosímetro (aparelho de medir as glicemias) e chequem o dextro sempre que se sentirem mal ou com algum sintoma suspeito.

Se a glicemia aferida estiver abaixo de 70 mg/dL, podemos dizer que o paciente está com hipoglicemia. Nesse caso, é importante fazer a correção dos níveis de açúcar no sangue a partir da ingestão de 15 gramas de um carboidrato que tenha rápida absorção. Na prática, as melhores opções são:

 

  • 1 copo de 200 ml de água com 1 colher de sopa rasa de açúcar OU

  • 1 copo de 200 ml de suco de laranja OU refrigerante (não diet) OU

  • 3 balas de caramelo

 

Após 15 minutos, devemos checar novamente a glicemia. Se já estiver normalizada, o paciente deve então consumir um alimento leve como um lanche. Se ainda estiver abaixo de 70mg/dL, é preciso repetir o procedimento e se mesmo assim não houver sucesso ou o paciente estiver inconsciente, é fundamental o rápido acionamento do SAMU e encaminhamento à emergência.

Vale ressaltar que a correção não deve ser feita com chocolate, leite ou doces elaborados que contenham muita gordura ou proteína, pois o açúcar pode demorar demais para subir e pode desencadear uma hiperglicemia posteriormente.

Gostou do conteúdo?

Para mais informações sobre diabetes tipo 2, não deixe de conferir a sessão de artigos do site e também a minha página no portal Pebmed, onde sou colunista de Diabetes e Endocrinologia e comento artigos médicos com maior rigor científico.

 

E se tiver alguma questão, entre em contato conosco e/ou agende sua consulta.
 

Referências:

1. Pititto B, Dias M, Moura F, Lamounier R, Calliari S, Bertoluci M. Metas no tratamento do diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2022). DOI: 10.29327/557753.2022-3, ISBN: 978-65-5941-622-6.

2. Rodacki M, Teles M, Gabbay M, Montenegro R, Bertoluci M. Classificação do diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2022). DOI: 10.29327/557753.2022-1, ISBN: 978-65-5941-622-6.

3. ElSayed NA, Aleppo G, Aroda VR, Bannuru RR, Brown FM, Bruemmer D, Collins BS, Hilliard ME, Isaacs D, Johnson EL, Kahan S, Khunti K, Leon J, Lyons SK, Perry ML, Prahalad P, Pratley RE, Seley JJ, Stanton RC, Gabbay RA, on behalf of the American Diabetes Association. 2. Classification and Diagnosis of Diabetes: Standards of Care in Diabetes-2023. Diabetes Care. 2023 Jan 1;46(Suppl 1):S19-S40. DOI: 10.2337/dc23-S002. Erratum in: Diabetes Care. 2023 Feb 01;: PMID: 36507649; PMCID: PMC9810477

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